O buriti ocupa um lugar de destaque na culinária regional de Roraima. Conhecido entre os Macuxi como kuwai, o fruto da palmeira Mauritia flexuosa é aproveitado em receitas doces e bebidas, além de integrar práticas alimentares tradicionais de comunidades indígenas.
O uso do buriti também está presente no comércio de Boa Vista. Um estudo realizado em seis mercados públicos da capital, com entrevistas com dez feirantes, registrou a venda de produtos derivados da palmeira. Na alimentação, foram identificadas a polpa para sucos, licores e doces, enquanto fibras, sementes e folhas aparecem principalmente em peças artesanais. (new.scielo.br)
Da polpa às receitas regionais
A polpa madura pode ser consumida de diferentes maneiras. Entre os usos relatados em comunidades de Roraima estão o preparo de suco, bebida tradicionalmente chamada de vinho de buriti, bolo, farinha e óleo. O fruto também pode ser transformado em doces, ampliando sua durabilidade e permitindo a comercialização durante períodos diferentes da safra.
O processamento começa com a retirada da polpa, que pode ser usada fresca ou armazenada. A partir dela, é possível preparar bebidas, sobremesas e massas. Já o óleo é aproveitado como ingrediente culinário, embora também tenha usos fora da alimentação. A variedade de preparos mostra como o buriti pode ser incorporado tanto a receitas do dia a dia quanto a produtos vendidos em feiras.
Em materiais sobre alimentos regionais brasileiros, o buriti também é associado à produção de fécula retirada da medula do caule, conhecida em algumas regiões como farinha de buriti. O aproveitamento, porém, varia conforme a comunidade, a disponibilidade da palmeira e os conhecimentos transmitidos entre as gerações.
Alimento e patrimônio cultural
Nas comunidades Milho, Mauixi e Campo Alegre, na Terra Indígena São Marcos, relatos reunidos por estudantes indígenas da Universidade Federal de Roraima apontam o kuwai como um alimento importante para a cultura e a cosmologia dos povos locais. O fruto é citado no preparo de suco, vinho, bolo, farinha e óleo. (proceedings.science)
Esse conhecimento está ligado ao manejo dos buritizais, áreas onde há concentração de palmeiras. Para as comunidades, esses locais também podem indicar a presença de água no território. A coleta dos frutos é feita conforme o amadurecimento dos cachos, em uma prática extrativista que depende da conservação das áreas naturais.
O buriti ainda pode contribuir para a renda de famílias que comercializam polpas, bebidas, doces e outros derivados. Em Boa Vista, a pesquisa identificou a participação de comunidades indígenas Warao, Yanomami, Macuxi e Taurepang no fornecimento de matérias-primas e produtos, muitas vezes sem intermediários. (new.scielo.br)
Desafios para manter o uso tradicional
Apesar da importância cultural e econômica, a cadeia do buriti enfrenta dificuldades de logística, apoio institucional e organização comercial. Também há preocupação com a preservação dos buritizais, especialmente em áreas afetadas por queimadas e outras mudanças no uso do território.
A valorização do fruto depende, portanto, da proteção das palmeiras, do respeito aos conhecimentos indígenas e da criação de condições para que produtores e artesãos tenham maior participação no comércio. Na culinária de Roraima, o buriti permanece como um ingrediente versátil e um elo entre alimentação, território e identidade cultural.








