A agricultura familiar em Roraima tem papel importante no abastecimento de feiras, mercados e iniciativas de compra pública. A produção de pequenos agricultores chega ao consumidor na forma de frutas, verduras, legumes, ovos, pães, doces, derivados de leite, temperos e outros alimentos comercializados diretamente ou por meio de cooperativas e associações.
Além de ampliar a oferta de produtos frescos, a atividade contribui para a geração de renda no campo e movimenta serviços ligados ao transporte, à comercialização e ao beneficiamento de alimentos. Em muitos casos, a venda é uma das principais formas de retorno financeiro para as famílias que vivem da produção rural.
Feiras aproximam produtores e consumidores
Em Boa Vista, a Feira da Agricultura Familiar se consolidou como um dos canais de venda direta utilizados pelos produtores. Segundo o Sebrae Roraima, a iniciativa foi retomada em julho de 2025 e registrou cerca de R$ 150 mil em vendas até janeiro de 2026. Em 2025, foram realizadas 32 edições, com participação média de 15 a 20 famílias produtoras a cada sábado.
A proposta é reduzir a distância entre quem produz e quem compra. A comercialização direta também pode diminuir a dependência de intermediários e permitir que parte maior do valor pago pelo consumidor permaneça com o agricultor. Para o público, as feiras oferecem acesso a alimentos produzidos localmente e permitem conhecer a origem dos produtos.
Entre os itens encontrados nesses espaços estão frutas, hortaliças, ovos caipiras, pães, bolos, coalhadas, doces, plantas ornamentais e temperos naturais. A variedade depende da época do ano, da capacidade de produção de cada família e das condições de transporte e armazenamento.
Programas públicos ampliam os canais de venda
As feiras não são o único destino da produção familiar. Parte dos agricultores participa de programas governamentais, fornece alimentos para a merenda escolar por meio de cooperativas ou atende instituições públicas e entidades sociais.
O Programa de Aquisição de Alimentos, por exemplo, permite que produtos da agricultura familiar sejam destinados a equipamentos públicos e organizações que atendem pessoas em situação de insegurança alimentar. Em Roraima, a Companhia Nacional de Abastecimento já divulgou ações de compra e distribuição de alimentos produzidos por agricultores familiares.
Esses mecanismos ajudam a criar maior previsibilidade para o produtor, especialmente quando há planejamento das entregas e organização coletiva. Cooperativas e associações também podem facilitar a negociação, a emissão de documentos, o transporte e o atendimento a compradores que exigem volume regular.
Desafios ainda estão no campo
Apesar da importância econômica e social, a agricultura familiar enfrenta obstáculos para ampliar a produção e alcançar novos mercados. Entre os desafios estão o acesso a assistência técnica, crédito, equipamentos, armazenamento, transporte e regularização dos produtos processados.
A distância entre algumas comunidades rurais e os centros consumidores também pode elevar custos e dificultar a entrega de alimentos perecíveis. Por isso, a melhoria da infraestrutura e o fortalecimento das organizações de produtores são apontados como medidas importantes para reduzir perdas e aumentar a renda das famílias.
Com apoio técnico, canais regulares de comercialização e participação dos consumidores, a agricultura familiar tende a ocupar espaço maior no abastecimento de Roraima. O resultado é a combinação entre geração de renda no campo, valorização da produção local e oferta de alimentos para a população.








