Os costumes de Roraima refletem a convivência entre diferentes povos e influências culturais. Tradições indígenas, hábitos trazidos por migrantes de outras regiões do Brasil e referências de Venezuela e Guiana aparecem na alimentação, nas festas e na rotina de várias comunidades. Para quem visita o estado pela primeira vez, alguns desses hábitos podem ser surpreendentes.
As práticas variam entre a capital, Boa Vista, os demais municípios e as comunidades indígenas. Ainda assim, cinco costumes ajudam a apresentar parte da identidade cultural roraimense.
1. Pimenta pode aparecer em diferentes momentos da refeição
A presença da pimenta é um dos traços mais marcantes da culinária tradicional de Roraima. Na damorida, caldo de origem indígena preparado com peixe ou carne e diferentes tipos de pimenta, o ingrediente é parte central do prato. A receita costuma ser acompanhada de beiju e farinha de mandioca.
Para visitantes acostumados a temperos mais suaves, a intensidade pode chamar a atenção. Por isso, é comum perguntar sobre o nível de ardência antes de experimentar preparações regionais. A jiquitaia, feita com pimentas desidratadas e moídas, também aparece como condimento em pratos locais. (acta.inpa.gov.br)
2. Farinha e beiju acompanham a mesa
Em Roraima, a mandioca está presente em diversas formas. A farinha pode acompanhar refeições do dia a dia, enquanto o beiju aparece como acompanhamento de caldos, peixes e outras preparações. Esses alimentos estão ligados a conhecimentos tradicionais de cultivo, processamento e preparo mantidos por comunidades indígenas.
Em roteiros de turismo cultural, visitantes podem conhecer demonstrações da produção de farinha, beiju e tapioca. A experiência mostra que esses itens não são apenas acompanhamentos, mas também expressões de memória e continuidade cultural. (biblioteca.funai.gov.br)
3. Paçoca pode ser feita com carne seca e servida com banana
A paçoca roraimense tem uma preparação diferente da versão doce conhecida em outras partes do país. A receita tradicional é feita com carne bovina desidratada e farinha de mandioca, geralmente processadas no pilão. Em Boa Vista, o prato é associado à culinária regional e costuma ser servido com banana.
A combinação pode surpreender quem espera uma sobremesa ao ouvir a palavra “paçoca”. No estado, porém, trata-se de uma preparação salgada ligada à história alimentar de Roraima. (gov.br)
4. O caxiri aparece em encontros e celebrações
O caxiri é uma bebida tradicional de povos indígenas da região amazônica, geralmente produzida a partir da mandioca. Em Roraima, ele pode estar presente em eventos culturais, festas comunitárias e atividades de valorização das tradições indígenas, ao lado de pratos como damorida, beiju e farinha.
A bebida não deve ser tratada apenas como atração turística. Em comunidades indígenas, seu preparo e consumo fazem parte de práticas culturais específicas. O visitante deve seguir as orientações dos anfitriões e respeitar as regras de cada local. (uiramuta.rr.gov.br)
5. A cultura local reúne referências indígenas e dos países vizinhos
Outro aspecto que pode surpreender é a diversidade cultural percebida na alimentação, na música, nas línguas e nas festas. A presença de povos indígenas, migrantes nordestinos e moradores de origem venezuelana e guianense contribui para um cotidiano marcado por diferentes referências.
Na gastronomia, por exemplo, pratos tradicionais de Roraima convivem com alimentos associados à Venezuela, como a arepa. Em comunidades e eventos culturais, também podem aparecer cantos em línguas indígenas, danças tradicionais e apresentações relacionadas à história dos povos Macuxi e Wapichana. (cnnbrasil.com.br)
Respeito é parte da experiência
Conhecer os costumes de Roraima exige mais do que provar pratos ou participar de festas. Em visitas a comunidades indígenas, é importante pedir autorização para fotografar, seguir as orientações locais e evitar generalizações. A diversidade cultural do estado não se resume a uma única tradição: ela é formada por diferentes povos, territórios e modos de vida.








