O comércio de fronteira em Roraima faz parte da rotina de cidades que mantêm relações diárias com a Venezuela e a Guiana. A circulação de consumidores, trabalhadores, transportadores e mercadorias influencia o funcionamento do comércio, dos serviços e do transporte, especialmente em Pacaraima, Boa Vista e Bonfim.
O estado possui municípios inseridos na faixa de fronteira e duas cidades reconhecidas como gêmeas: Pacaraima, ligada a Santa Elena de Uairén, na Venezuela, e Bonfim, conectada a Lethem, na Guiana. A classificação considera o potencial de integração econômica e cultural entre localidades de países diferentes, segundo o IBGE. (ibge.gov.br)
Pacaraima concentra a ligação com a Venezuela
Pacaraima é o principal ponto terrestre de passagem entre Roraima e a Venezuela. O município está localizado no extremo norte do estado e é atravessado pela BR-174, rodovia que conecta a fronteira a Boa Vista e, por meio da capital, ao restante do país. A prefeitura informa que a economia local é influenciada pelo comércio, pelos serviços, pela administração pública e pelo turismo.
Na prática, a movimentação na fronteira altera os horários de maior fluxo, a demanda por transporte e a procura por produtos básicos. Táxis, ônibus, pequenos transportadores e estabelecimentos comerciais fazem parte desse circuito. O comércio também é afetado pelas variações na renda dos consumidores, no câmbio e nas regras de fiscalização.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que houve mudança no sentido predominante do comércio varejista em Pacaraima. Antes, brasileiros atravessavam a fronteira com maior frequência para comprar na Venezuela. Nos últimos anos, o fluxo de venezuelanos em direção ao comércio brasileiro ganhou relevância. (repositorio.ipea.gov.br)
Boa Vista funciona como centro de apoio
Embora esteja distante da linha internacional, Boa Vista é diretamente afetada pela dinâmica fronteiriça. A capital concentra serviços públicos, comércio atacadista e varejista, transporte, saúde, educação e estruturas de atendimento que alcançam pessoas em deslocamento pela região.
O fluxo migratório também interfere nessa rotina. Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social mostram que Pacaraima e Boa Vista estão entre os municípios alcançados pelas ações de acolhimento e acompanhamento da Operação Acolhida. A presença ou a redução desse fluxo repercute na demanda por transporte, alimentação, hospedagem e outros serviços. (gov.br)
Bonfim mantém conexão com a Guiana
No leste de Roraima, Bonfim mantém relações comerciais e de circulação com Lethem, do outro lado do rio Tacutu. A área também está incluída na política de Áreas de Livre Comércio administrada pela Suframa, criada para estimular o desenvolvimento das regiões fronteiriças e ampliar as relações com os países vizinhos.
Esse modelo favorece atividades de importação, exportação e abastecimento, mas seus efeitos dependem das regras tributárias, da fiscalização e da infraestrutura disponível. Mudanças nesses fatores podem alterar o movimento de lojas, transportadores e consumidores.
Fronteira combina oportunidades e desafios
O comércio transfronteiriço gera oportunidades para pequenos negócios, serviços de transporte, alimentação e hospedagem. Ao mesmo tempo, exige controle aduaneiro, organização do trânsito, acompanhamento sanitário e políticas públicas capazes de responder às oscilações na circulação de pessoas e mercadorias.
Por isso, em Roraima, a fronteira não é apenas uma linha geográfica. Ela funciona como um espaço de trocas que influencia preços, deslocamentos, horários de funcionamento e decisões econômicas em diferentes cidades do estado.








