quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Saúde

Como equipes de saúde chegam a comunidades de difícil acesso em Roraima

Em Roraima, equipes de saúde enfrentam grandes distâncias e ausência de estradas para atender comunidades indígenas. A logística combina transporte aéreo, fluvial e deslocamentos a pé.

As equipes de saúde em comunidades de difícil acesso precisam combinar diferentes meios de transporte para atender moradores de áreas remotas de Roraima. No território Yanomami, onde muitas aldeias não têm ligação por estradas, o deslocamento pode envolver avião, helicóptero, embarcação e longas caminhadas.

A operação é organizada principalmente pelo Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Yanomami, estrutura do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena responsável por levar ações do Sistema Único de Saúde (SUS) às comunidades. O trabalho inclui consultas, vacinação, acompanhamento de crianças, distribuição de medicamentos, prevenção de doenças e encaminhamento de pacientes.

Transporte aéreo é o principal meio de acesso

O transporte aéreo é utilizado na maior parte dos deslocamentos até as aldeias Yanomami. Dados do Ministério da Saúde indicam que o acesso ao território ocorre predominantemente por via aérea, especialmente em regiões sem estradas ou com grandes obstáculos naturais. Aviões são usados para transportar profissionais, cargas e pacientes. Helicópteros podem ser empregados quando é necessário pousar em locais mais restritos ou alcançar áreas inacessíveis por outros meios. (gov.br)

As condições meteorológicas, a distância entre as comunidades e a existência de pistas limitadas influenciam o planejamento das viagens. Em situações de urgência, a remoção aeromédica pode ser necessária para levar o paciente a uma unidade de referência, geralmente em Boa Vista. A operação também depende de condições seguras para pouso, decolagem e permanência das aeronaves. (cofen.gov.br)

Barcos e caminhadas completam o percurso

O deslocamento nem sempre termina quando a equipe pousa. Em algumas áreas, os profissionais precisam continuar a viagem por rios e igarapés, usando embarcações para chegar aos polos-base ou às comunidades. Em outros casos, o trecho final é feito a pé, por trilhas que podem exigir várias horas de caminhada.

Em 2026, o Ministério da Saúde informou que a estrutura logística do DSEI Yanomami contava com embarcações próprias, pilotos fluviais contratados e transporte aéreo para localidades de difícil acesso. A combinação desses modais permite adaptar o trajeto às características de cada região. (gov.br)

O que as equipes levam para as comunidades

Além dos profissionais, os deslocamentos precisam incluir medicamentos, vacinas, materiais para exames, equipamentos e insumos de emergência. O planejamento considera o tempo de permanência em campo, a quantidade de pessoas atendidas e a possibilidade de reposição dos estoques.

As equipes multidisciplinares podem atuar a partir de polos-base e unidades de apoio, realizando visitas programadas às comunidades. Quando o caso exige atendimento especializado, o paciente pode ser encaminhado para a Casa de Saúde Indígena (Casai) e, posteriormente, para serviços de média ou alta complexidade do SUS. (gov.br)

Por que o acesso é um desafio

A geografia da região é apenas uma parte da dificuldade. As distâncias entre aldeias, a ausência de estradas, as mudanças climáticas, as condições das pistas e a necessidade de transportar cargas tornam cada viagem dependente de planejamento logístico. Relatórios sobre a assistência no território também registram comunidades acessíveis somente após longas caminhadas, por helicóptero ou por embarcação. (vigilancia.saude.rr.gov.br)

Por isso, o atendimento em Roraima não depende apenas da presença de profissionais. Ele exige uma rede de transporte, comunicação, abastecimento e remoção capaz de manter o cuidado mesmo em locais onde o acesso convencional não existe.