quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Dia a Dia

Cultura indígena em Roraima está presente na alimentação, nas línguas e nas tradições do estado

A cultura indígena em Roraima aparece em diferentes dimensões da vida no estado, como alimentação, artesanato, línguas, festas, agricultura, memória e relação com o território.

A cultura indígena em Roraima está presente em diferentes aspectos da vida no estado. Ela aparece nas línguas faladas, na alimentação, no artesanato, nas práticas agrícolas, nas festas tradicionais, na relação com o território e também no cotidiano das cidades. Essa presença é resultado da atuação histórica e contemporânea de diversos povos, com modos de vida, costumes e identidades próprios.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roraima tinha 97.668 pessoas indígenas segundo o Censo Demográfico 2022. O estado está entre os que concentram as maiores populações indígenas do país, tanto em números absolutos quanto na proporção em relação ao total de habitantes.

Diversidade entre os povos indígenas

A população indígena de Roraima não é formada por um único grupo. Entre os povos presentes no estado estão Macuxi, Wapichana, Yanomami, Taurepang, Ye’kwana, Wai Wai, Ingarikó, Patamona, Sapará e Waimiri-Atroari, entre outros. Cada povo possui formas específicas de organização social, conhecimentos, narrativas, práticas espirituais e maneiras de se relacionar com o ambiente.

Essa diversidade também se expressa nas línguas indígenas. Em muitas comunidades, os idiomas tradicionais convivem com o português e permanecem importantes para a transmissão de histórias, conhecimentos e valores entre as gerações. O uso da língua é, para muitos povos, uma forma de fortalecer a identidade e preservar a memória coletiva.

Alimentação e agricultura fazem parte da identidade

A produção de alimentos é outro campo em que os conhecimentos indígenas permanecem visíveis. O cultivo de mandioca, milho, banana, macaxeira e outros produtos está ligado a técnicas transmitidas entre gerações. A mandioca, em especial, dá origem a alimentos presentes na mesa roraimense, como farinha, beiju e goma.

Além de garantir parte do sustento das comunidades, a agricultura tradicional envolve o conhecimento sobre o solo, o clima, as sementes e o período adequado para o plantio. Essas práticas variam conforme o território e as características de cada povo, sem formar um conjunto único ou homogêneo.

Artesanato, festas e circulação cultural

O artesanato indígena também ocupa espaço na cultura de Roraima. Cestos, redes, adornos, peças de cerâmica e objetos produzidos com fibras e sementes carregam técnicas e significados próprios. A comercialização desses produtos pode contribuir para a geração de renda, mas a valorização cultural depende do reconhecimento da autoria indígena e do respeito aos usos tradicionais de cada peça.

Danças, cantos, pinturas corporais e celebrações comunitárias integram momentos de encontro e transmissão de conhecimentos. Em eventos públicos e atividades culturais, essas manifestações alcançam a população não indígena e ajudam a ampliar o conhecimento sobre a história dos povos originários.

Presença também nas cidades

A cultura indígena não está restrita às aldeias ou às terras indígenas. Estudos reunidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) mostram a presença de indígenas Macuxi e Wapichana no perímetro urbano de Boa Vista. Na capital, famílias indígenas participam da educação, do comércio, da produção cultural, dos serviços públicos e de movimentos de defesa de direitos.

Para o Iphan, a pluralidade das etnias indígenas é um dos elementos que ajudam a formar a identidade de Roraima. Preservar essa herança envolve proteger territórios, incentivar a transmissão das línguas, valorizar os conhecimentos tradicionais e garantir que os próprios povos tenham participação nas decisões sobre sua cultura e sua história.