quarta-feira, 4 de novembro de 2026
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Pedra Pintada em Roraima: como conhecer o sítio arqueológico e preservar os registros milenares

A Pedra Pintada, em Pacaraima, Roraima, é um dos principais sítios arqueológicos da Amazônia. Veja o que existe no local, como planejar o acesso e quais cuidados são necessários durante a visita.

A Pedra Pintada, em Roraima, é um dos mais conhecidos sítios arqueológicos do estado. Localizado no município de Pacaraima, o local reúne um grande bloco de granito, pinturas rupestres e vestígios que ajudam a compreender a ocupação humana da região há milhares de anos.

O sítio está na Terra Indígena São Marcos e, por isso, a visita exige planejamento prévio. Antes de viajar, é importante confirmar as condições de acesso, as autorizações necessárias e a possibilidade de acompanhamento por pessoas habilitadas ou representantes da comunidade local.

O que existe na Pedra Pintada

De acordo com o Iphan, o monumento possui uma caverna na base e três áreas principais com pinturas: a área da caverna, o painel principal e a chamada Mesa de Pedra. Parte dos registros está a mais de 10 metros do solo, o que indica que os antigos autores podem ter utilizado escadas ou estruturas improvisadas para alcançar a superfície.

As pinturas apresentam formas geométricas, como círculos, retângulos, linhas contínuas, linhas pontilhadas e zigue-zagues. O conjunto é considerado um importante registro da presença e das práticas de grupos que viveram na região antes da chegada dos europeus.

Vestígios de uma ocupação milenar

Escavações realizadas na década de 1980 identificaram fragmentos de cerâmica, instrumentos de pedra, restos de alimentos, sementes, objetos de adorno, vestígios de cestaria e hematita, mineral que poderia ser usado na produção de pigmentos. Também foram encontrados registros de sepultamento.

O Iphan informa que a Pedra Pintada tem datação de pelo menos 4.000 anos antes do presente. A expressão “antes do presente”, usada em arqueologia, considera o ano de 1950 como referência. Publicação do órgão também aponta diferentes momentos de ocupação, incluindo uma fase mais antiga associada a grupos caçadores, coletores e pescadores e outra relacionada à produção de cerâmica.

Como chegar e planejar a visita

O Serviço Geológico do Brasil registra que o acesso principal ocorre pela BR-174, no sentido da fronteira com a Venezuela. Na altura do quilômetro 119, é necessário seguir pela vicinal RR-400 por aproximadamente 11 quilômetros, em direção ao rio Parimé.

As condições de deslocamento variam conforme o nível do rio e o período do ano. O acesso por veículo tracionado pode ser possível durante a estiagem mais intensa, indicada na fonte técnica para os meses de janeiro e fevereiro. O trajeto a pé também sofre restrições durante o período de cheia, especialmente entre maio e agosto.

Essas informações não substituem a confirmação local. Como a Pedra Pintada está em área indígena e possui valor arqueológico e cultural, o visitante deve procurar previamente o Iphan, a Funai ou os responsáveis indicados pela comunidade para verificar autorização, condições da estrada, travessia do rio e regras de visitação.

Cuidados durante o passeio

Não toque, risque ou molhe as pinturas. Também não recolha pedras, fragmentos ou qualquer outro material encontrado no solo. O sítio é considerado sagrado para indígenas da região, e a preservação depende tanto do controle de acesso quanto do comportamento dos visitantes.

Por se tratar de uma área remota, sem infraestrutura turística ampla, é recomendável levar água, alimentação, proteção contra o sol, calçados adequados e meios de comunicação previamente planejados. O ideal é evitar a visita individual e seguir as orientações dos responsáveis locais.

A Pedra Pintada combina patrimônio arqueológico, geologia e memória indígena. Conhecer o local exige respeito às regras de acesso e compromisso com a conservação dos registros que atravessaram milhares de anos.