O desenvolvimento econômico e a preservação ambiental fazem parte do mesmo debate público em Roraima. O estado busca ampliar a produção, melhorar a infraestrutura, atrair investimentos e gerar empregos, mas enfrenta o desafio de conciliar essas metas com a proteção das florestas, dos rios, dos territórios indígenas e da biodiversidade amazônica.
A discussão envolve setores como agropecuária, comércio, serviços, turismo, mineração, energia e atividades ligadas à bioeconomia. Em todos eles, decisões sobre uso do solo, regularização fundiária, licenciamento ambiental e fiscalização influenciam tanto a economia quanto a qualidade de vida da população.
Produção e segurança jurídica
O planejamento estadual trata a segurança jurídica, a melhoria do ambiente de negócios e o fortalecimento de cadeias produtivas como condições para aumentar a competitividade de Roraima. A proposta também associa produtividade, inovação e gestão ambiental a uma estratégia de desenvolvimento sustentável, conforme o plano Roraima 2030.
Na prática, a expansão econômica depende de regras claras para produtores e empresas, definição sobre a ocupação territorial e capacidade dos órgãos públicos de analisar projetos, acompanhar o cumprimento das normas e punir infrações. Sem esses mecanismos, o crescimento pode ampliar conflitos fundiários, estimular atividades irregulares e elevar os custos sociais e ambientais.
Pressão sobre o território
Os dados de monitoramento mostram que a questão ambiental permanece relevante. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a taxa consolidada de desmatamento na Amazônia Legal em 2025 foi de 5.731 quilômetros quadrados. Roraima registrou redução de 39,10% em relação ao ano anterior, mas a existência de áreas desmatadas e de alertas recorrentes mantém a necessidade de fiscalização e prevenção.
Os sistemas de monitoramento utilizam metodologias diferentes. O Prodes calcula a taxa anual de desmatamento, enquanto o Deter identifica alertas em tempo quase real e serve principalmente para orientar ações de controle. No período de agosto de 2025 a junho de 2026, o Ministério do Meio Ambiente informou que Roraima teve 272,6 quilômetros quadrados em alertas, com aumento em relação ao ciclo anterior. Esses números não substituem a taxa oficial anual, mas indicam áreas que exigem atenção.
Alternativas para gerar renda
Uma das possibilidades discutidas é ampliar atividades que agreguem valor aos produtos locais sem depender exclusivamente da conversão de novas áreas. O fortalecimento da agricultura de baixo impacto, do turismo de natureza, do manejo sustentável, da pesquisa científica e de cadeias da bioeconomia pode criar oportunidades econômicas associadas à conservação.
Essa transição, no entanto, exige crédito, assistência técnica, qualificação profissional, conectividade, infraestrutura de transporte e acesso a mercados. Também depende da participação de comunidades locais e povos indígenas, além de políticas que reconheçam os conhecimentos tradicionais e respeitem os direitos territoriais.
Desafio para o poder público
O principal desafio é transformar o discurso de sustentabilidade em metas verificáveis, com prazos, responsáveis, indicadores e transparência sobre os resultados. Para Roraima, desenvolvimento não significa apenas aumentar a produção, mas garantir que a geração de riqueza seja compatível com a conservação ambiental, a segurança das comunidades e o planejamento de longo prazo.





