A história de Roraima é marcada pela presença ancestral de povos indígenas, pela ocupação estratégica da fronteira norte do Brasil e por diferentes ciclos econômicos. A pecuária, o garimpo, os projetos de colonização e as migrações internas ajudaram a formar a sociedade e o território conhecidos atualmente.
Para entender essa trajetória, é necessário reconhecer que a ocupação humana na região começou muito antes da chegada dos europeus. Povos como Macuxi, Wapichana, Yanomami, Taurepang, Ingarikó, Wai-Wai e Ye’kuana desenvolveram modos próprios de organização, circulação, produção e relação com o ambiente.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional destaca que Roraima possui diversidade étnica e importante patrimônio arqueológico, com sítios que incluem gravuras, pinturas rupestres, oficinas líticas e vestígios cerâmicos. A presença indígena continua sendo um dos principais elementos da identidade cultural do estado.
Ocupação colonial e criação das fazendas
A ocupação promovida pelos portugueses ganhou força a partir do século XVIII, principalmente por razões estratégicas e de controle da fronteira. A instalação de estruturas militares, missões religiosas e núcleos de povoamento buscava ampliar a presença da Coroa portuguesa na região do rio Branco.
Nos campos naturais de Roraima, a criação de gado tornou-se uma das primeiras atividades econômicas permanentes. As fazendas deram origem a caminhos, povoados e áreas de circulação que, ao longo do tempo, contribuíram para a formação de municípios. Durante o século XIX, a pecuária extensiva passou a ocupar posição central na economia local.
Esse processo, porém, ocorreu em meio a relações desiguais com os povos indígenas. A expansão das fazendas e das missões alterou territórios tradicionais e incorporou parte da mão de obra indígena às atividades econômicas da época.
Garimpo e novas ondas de migração
No início do século XX, a dinâmica regional mudou com a chegada de migrantes, especialmente nordestinos, em diferentes momentos ligados aos ciclos econômicos da Amazônia. A atividade garimpeira também ganhou importância. Segundo levantamento do IBGE, por volta de 1930 o garimpo contribuiu para a fixação de pessoas e estimulou novos fluxos migratórios.
A exploração mineral voltou a crescer com intensidade nas décadas seguintes, sobretudo a partir dos anos 1970 e 1980. A abertura de estradas, os projetos de colonização e a busca por ouro e cassiterita atraíram trabalhadores e famílias de outras regiões do país. Esse movimento aumentou a população, expandiu núcleos urbanos e também ampliou conflitos fundiários e pressões sobre terras indígenas.
O garimpo ilegal permanece associado a impactos ambientais e sociais, especialmente em áreas indígenas. A Funai registra ações de fiscalização relacionadas a invasões, desmatamento e atividades garimpeiras em territórios protegidos.
De território federal a estado
Boa Vista foi criada como município em 1890. Em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, foi criado o Território Federal do Rio Branco, posteriormente denominado Território Federal de Roraima, em 1962. A mudança refletia a preocupação do governo brasileiro com a ocupação, a integração e a proteção das áreas de fronteira.
Roraima tornou-se estado com a Constituição Federal de 1988. A transformação encerrou o período de administração territorial direta pela União e consolidou uma nova etapa política e institucional.
Atualmente, a formação de Roraima pode ser compreendida como resultado da convivência — nem sempre pacífica — entre povos indígenas, pecuaristas, garimpeiros, agricultores, servidores públicos e migrantes brasileiros e estrangeiros. Essa diversidade ajuda a explicar a complexidade histórica, cultural e social do estado.








