Os rios de Roraima ajudam a explicar a formação do estado e continuam presentes na rotina de comunidades, trabalhadores e famílias que vivem às margens dos cursos d’água. Além de integrarem diferentes áreas do território, eles funcionam como vias de transporte, fontes de alimento e referências para a organização social.
O rio Branco é o principal curso d’água de Roraima. Ele se forma a partir da confluência dos rios Uraricoera e Tacutu e integra a bacia Amazônica. Ao longo do percurso, recebe outros afluentes, como os rios Mucajaí, Catrimani e Anauá. A rede hidrográfica também inclui rios como Amajari, Surumu, Cotingo, Cauamé e Xeruini.
Rios que ajudam a contar a história de Roraima
A relação entre os rios e a ocupação do território é antiga. A confluência do Uraricoera com o Tacutu foi escolhida, no século XVIII, para a construção do Forte São Joaquim do Rio Branco. O local era considerado estratégico para a presença portuguesa e para o controle da circulação pelo vale do rio Branco.
Segundo o Iphan, as ruínas do Forte São Joaquim representam um marco da conquista do extremo norte brasileiro. A posição do forte também mostra como os rios eram utilizados para deslocamento, abastecimento e comunicação em uma época em que as vias terrestres eram limitadas.
O estudo histórico e territorial do IBGE registra que o rio Branco foi fundamental para a ocupação não indígena da região. Antes e durante esse processo, diferentes povos indígenas já mantinham relações com os rios, seja para pesca, deslocamento, formação de aldeias ou uso de áreas próximas às margens.
Como os rios movimentam as comunidades
No sul do estado, especialmente na região do Baixo Rio Branco, comunidades ribeirinhas dependem dos rios para transporte, pesca e geração de renda. O deslocamento pode ocorrer por embarcações, principalmente em áreas onde as estradas são longas, precárias ou inexistentes.
O Zoneamento Ecológico-Econômico de Roraima aponta que populações ribeirinhas se concentram ao longo do rio Branco e de afluentes como Xeruini, Amajau, Jufari e Jauaperi. Nessas áreas, os rios fazem parte da vida econômica e social, além de influenciarem o acesso a serviços, mercados e equipamentos públicos.
A pesca também tem papel relevante. Ela pode contribuir para a alimentação das famílias e para a comercialização de pescado, sempre de acordo com as regras ambientais e os períodos de proteção estabelecidos pelos órgãos competentes. O uso responsável dos recursos ajuda a preservar os estoques e a manter a atividade no longo prazo.
Cuidados para conhecer os rios
Quem pretende visitar praias, comunidades ou trechos navegáveis deve buscar informações locais sobre o nível da água, a segurança da navegação, as condições climáticas e as regras de acesso. Também é importante evitar o descarte de lixo, não retirar animais ou plantas e respeitar territórios indígenas, unidades de conservação e áreas de uso comunitário.
Conhecer os rios de Roraima é, portanto, compreender uma parte essencial da história e do presente do estado. Eles não são apenas elementos da paisagem: são caminhos, fontes de sustento, referências culturais e espaços que exigem cuidado permanente.








